O que significa Especismo? Qual a importância desse termo?

Antes de tratar do significado do Especismo é importante estabelecermos um acordo em relação a uma premissa muito básica: “todo preconceito é algo inaceitável (antiético) e desprovido de lógica (irracional)”, com base nisso devemos buscar entender, refletir, desconstruir e abolir todo preconceito, certo?

 

ASPECTO GERAL
Sempre quando um grupo trata outro grupo de forma inferior é estabelecida uma forma de discriminação. Já o preconceito é um falso juízo de valor estabelecido anteriormente de tomar contato real com algum conceito, é um pré-conceito, uma falsa informação assimilada com base em impressões equivocadas que pode levar à discriminação.

O preconceito é aquilo que uma pessoa pensa sobre algo ou alguém e a discriminação pode ser considerada como colocar em prática atitudes violentas prejudicando o grupo alvo do preconceito.

Ambos são inaceitáveis por partirem de uma generalização que leva um grupo pensar e agir de maneira negativa em relação a outro grupo e são desprovidos de lógica por se basearem em premissas infundadas para justificar atos de violência e exploração, como diferenças de gênero, cor de pele, etnia, orientação sexual e espécie.

 

O ESPECISMO
O termo especismo foi criado pelo britânico Richard D. Ryder, em 1973, que partiu da constatação de algo similar criado pelo pastor protestante britânico Humphrey Primatt, no século XIX, que definia um suposto preconceito a favor de si mesmo praticado pelos seres humanos.

Segundo Ryder, o especismo seria então definido como preconceito contra seres de outras espécies que não a humana.

Em outras palavras, o especismo é o preconceito do ser humano em relação aos outros animais, é o ato de desconsiderar a importância e os direitos de um animal apenas pelo fato dele não ser um animal pertencente a nossa espécie.

Não levar a sério os direitos de um grupo com base nas suas diferenças, diferenças essas que nada interferem na senciência, interesses, vontades e direitos naturais dessas pessoas, é uma premissa básica e comum aos diversos preconceitos existentes na atualidade, como machismo, racismo, homofobia, transfobia e outros.

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A sentença “É correto matá-lo porque ele não pertence à minha espécie” é tão estúpida, de um ponto de vista ético, quanto dizer “é correto matá-lo porque ele não pertence à minha raça”. – Filósofo Carlos Cunha

Preconceitos tão errados e injustos, como é também o caso do Especismo, que apenas pela diferença de espécie, impõe aos outros animais uma “vida” de objetificação (pedaço/propriedade), produtificação ($), apropriação (roubo), miséria, stress, tédio, violação física e psicológica, tortura e escravidão.

 

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A IMPORTÂNCIA DE SE COMPREENDER O SIGNIFICADO DO ESPECISMO
A realidade dos animais somente irá mudar, positivamente, quando o movimento abolicionista de Direitos Animais conseguir causar uma gigantesca mudança social ao fazer a sociedade humana aprender o significado do Especismo.

Quando o movimento animalista conseguir que a sociedade humana reflita sobre o impacto de suas atitudes (guiadas atualmente pelo Especismo) na vida das outras espécies e quando buscarmos individualmente, e enquanto sociedade (civilizada), a abolição desse preconceito, somente, se, e quando isso acontecer os animais e o planeta estarão realmente próximos de alcançar a tão sonhada Libertação Animal.

Para isso tudo acontecer, é necessário que, vegans, vegetarianos, vegetarianas, protovegetarianos, protetoras, protetores e ativistas pelos direitos de todos os animais, caminhem na direção da compreensão da importância de se agir diariamente contra o próprio Especismo que habita em cada um e de proporcionar reflexão as demais pessoas sobre a discriminação especista.

Assim como outros movimentos de justiça social e de direitos lutam contra os respectivos preconceitos que os atingem diretamente, e que são as raízes da violência que sofrem, o meio vegano precisa entender que o foco principal da luta pelos Direitos Animais é o combate ao Especismo, para que com isso, consigamos transformar a atual “luta” pela divulgação do Veganismo em um movimento social verdadeiro, o movimento abolicionista de Direitos Animais.

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OS TIPOS DE ESPECISMO
Especismo é a discriminação contra as outras espécies de animais e pode possuir duas vertentes, uma totalmente reacionária (o especismo elitista) e outra totalmente romantizada e disfarçada de ‘boazinha’ (o especismo seletivo).

Considerar que o ser humano é o único animal importante e merece ser feliz, enquanto, todos os outros “apenas existem”, não se importando com seu bem-estar e direitos é a expressão de ódio máxima do Especismo, essa é a vertente chamada Especismo Elitista.

Exemplo prático de pensamento e atitude: “Para esses humanos (especistas elitistas) nenhuma espécie importa, nenhum animal não-humano importa, somente os humanos importam (“e olha lá”), acredita-se que o homem é o rei da Terra, um Deus cruel, todo soberano e que possui o “direito” de explorar todas as espécies que quiser pelo motivo que quiser”.

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Especistas elitistas, geralmente, são extremamente violentos, possuem pouca ou nenhuma empatia, possuem toda disposição necessária para agredir também seres humanos, sua visão especista, irracional e violenta mistura-se facilmente com outros preconceitos como racismo, machismo e outros, ou a própria ideia extremista da “Lei do mais forte”, são pessoas dispostas a ferir animais por mera diversão, bem como atacam os seres humanos que se oponham a escravidão animal.

Praticantes de rinhas, rodeios, vaquejadas e principalmente caçadores são, geralmente, os indivíduos mais violentos e que atacam ativistas pelos Direitos Animais que estão lutando em prol da Justiça e Liberdade.

O CAMALEÃO passou por experiências nesse sentido, com voluntários sendo ameaçados e atacados.

 

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Em contrapartida, o Especismo Seletivo, seleciona algumas espécies para serem protegidas, “amadas”, idolatradas, enquanto outras continuam a deriva do abandono, sofrimento, violência e escravidão.

A omissão de valores e direitos diferentes para espécies diferentes de animais é fruto do pensamento especista que legitima o uso, a escravidão e toda a opressão nas outras espécies de animais.

Esse é o Especismo seletivo, que é o mais comum dos Especismos, e praticado pela quase totalidade da sociedade.

Exemplo prático de pensamento e atitude: “O Especismo seletivo manifesta-se quando as pessoas esbravejam-se para defender animais bonitinhos (segundo os padrões midiáticos humanos), animais próximos (cães e gatos), animais bonitinhos à beira da extinção, entre outros.”

Não existe problema algum em defender esses animais, o problema é só defender eles. Na sociedade ocidental, cães e gatos são vistos pela maioria da sociedade humana como os únicos animais que merecem respeito e direitos, todas as outras espécies, principalmente, as espécies ditas “de consumo” ou “de laboratório” tem seus interesses e direitos negados, como porcos, galinhas, pintinhos, ovelhas, vacas, bois, coelhos, ratos, etc.

 

Quem pratica o especismo eletivo não se dá conta de que todo seu amor “pelos animais” (uma categoria tão abrangente que chega a reunir formigas, baratas, aves, répteis e vertebrados, como se entre uma e outra dessas milhões de espécies não houvessem mistérios sequer estudados, traduzindo em cada indivíduo uma singularidade não repetível) de fato se esgota na fronteira do modelo no qual o corpo do animal eleito para estima veio à vida.

E as pessoas que se agarram a “gatinhos” (sempre no masculino e diminutivo!) ou a “bichinhos” (idem), se dizem protetoras “dos animais” em geral, como se “seu” cãozinho ou o “seu” gatinho fossem representantes de todos os indivíduos animais de todos os tipos e formatos espalhados por todas as regiões do planeta. – Filósofa Sônia T. Felipe

 

VÍDEOS QUE EXEMPLIFICAM O ESPECISMO

• Especismo Elitista

 

• Especismo Seletivo

 

Referência:

Brasil, Gênero e Raça – Ministério do Trabalho

O que é Especismo Eletivo?

GEDA VALE: Estudo sobre Especismo

Diferenças entre racismo, preconceito, estereótipo e discriminação

Discriminação social, racial e de gênero no Brasil

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